As 10 Competências do Futuro e Agilidade: o que existe em comum?

04/05/2020
3 min de leitura

Há algum tempo, carros autônomos, patinetes, bicicletas por aplicativo pareciam muito longe da realidade, mas rapidamente se tornaram parte do dia a dia. O futuro que imaginamos tão distante se aproxima cada vez mais rápido e a Economia Criativa já toma conta do nosso mercado.

O autor inglês John Howkins do livro “The Creative Economy”, define economia criativa como

“atividades nas quais a criatividade e o capital intelectual são a matéria-prima para a criação, produção e distribuição de bens e serviços.”

Segundo a World Economic Forum (julho de 2018), existem 10 habilidades que um profissional precisará para sobreviver a crescente exponencial da tecnologia no mercado.

Agora, para surpresa de muitos, das 10 habilidades do futuro, nenhuma é técnica, todas as 10 são competências comportamentais (ditas soft skills). Então, vamos a elas:

  1. Flexibilidade cognitiva – criatividade/adaptação, raciocínio lógico e sensibilidade.
  2. Habilidades de negociação – não só de contratos, para a vida.
  3. Orientação a serviço – ajudar os outros, empatia.
  4. Análise e tomada de decisão – necessidade de tomar decisões inteligentes.
  5. Inteligência emocional – os robôs podem fazer muito, mas ainda não conseguem ler as pessoas da mesma maneira que os outros humanos (pelo menos, não ainda)
  6. Colaboração – Ajustar-se e ser sensível às necessidades dos outros, co-criar, inteligência coletiva ou simplesmente praticar empatia.
  7. Gestão de pessoas – onde devemos promover flexibilidade, adaptabilidade e inovação para apoiar incondicionalmente a experiência do colaborador. Podemos entender um pouco mais no texto sobre o que é o RH Ágil.
  8. Criatividade – somos bombardeados por novas tecnologias, novas demandas e necessidades, logo a habilidade para se adaptar a essa tecnologia a novos produtos e serviços.
  9. Pensamento crítico – O mercado precisa de pessoas com mentes críticas que possam avaliar os usos do poder da tecnologia e das novas necessidades e usá-las para beneficiar a empresa e as pessoas. A transformação digital aumenta a necessidade das pessoas a se adaptarem e a empregarem lógica e raciocínio diariamente.
  10. Solução complexa de problemas – Essa capacidade é um combo de múltiplas competências, assim como a inteligência humana. É a coleção de processos e ações fundamentais para resolver problemas, o que não pode ser alcançado com atividades triviais e repetitivas. Combinações criativas entre conhecimento e um amplo conjunto de estratégias serão necessárias, estamos falando de um mix de soluções cognitivas, emocionais e motivacionais.

A tecnologia veio para facilitar o dia a dia, mas também pode tornar as coisas mais complexas. Por exemplo, podemos usar o Whatson da IBM para ajudar a mapear os padrões de profissionais da área da saúde de um hospital e tornar as coisas mais eficientes. Mas, sem um ser humano analisando esses dados em conjunto em conversas inteligentes com enfermeiros, médicos e pacientes, você provavelmente terminará com um resultado errado ou, no mínimo, duvidoso.

Agora, como essa lista se relaciona com a Agilidade?

Sobrecarregar as pessoas com treinamentos modernos e re-decorar o ambiente de trabalho tornando-o mais cool e descolados, mantendo a cultura intacta, certamente podemos afirmar que estamos “fantasiando” a empresa de ágil. A Agilidade nasce para adaptar-se a essa nova era, onde cada vez mais colocaremos o ser humano e suas necessidades no centro de todas as ações.

Agilidade não resolve os problemas, ela os expõe. Logo, Agilidade não é uma ferramenta que tiramos do bolso e “instalamos” nas empresas. Agilidade é cultura onde atuamos diretamente no mindset das organizações.

Só modificamos uma cultura com pessoas e com suas habilidades. Segundo Maurício Benvenutti, no seu livro Audaz, “você não constrói uma empresa, você constrói um time e o time constrói a empresa”.

O manifesto ágil promove o que nós da K21 chamamos de True Agile e ele se baseia em 4 valores, sendo um desses: “Responder a mudanças mais que seguir um plano”.

Quando pensamos nessa mudança cultural, sempre perguntamos: o que precisamos para, de fato, tirarmos os valores do True Agile do papel e transformarmos em novos processos, atitudes e por fim cultura?

Colaboração, Inteligência Coletiva, Feedback constante e honesto, Melhoria Contínua, senso de dono, foco na entrega de valor para o cliente são algumas das palavras e ações que estão intimamente ligadas à essa transformação que buscamos. E não por acaso, essas palavras e ações também estão intimamente ligadas a essa lista de 10 competências do futuro.

Já falamos da mudança das eras, era da revolução industrial para era do conhecimento e todas as implicações que acarretam no texto sobre Mindset Ágil. No fim das contas, estamos em um mundo V.U.C.A. (volátil, incerto, complexo e ambíguo) onde lidar com a complexidade e responder às mudanças, transformando-as em oportunidades, se torna cada vez mais questão de sobrevivência.

Agilidade não é moda ou uma ferramenta, é somente uma forma que encontramos para lidar e nos adaptar a realidade dessa nova economia e a esse futuro, que está mais perto do que podemos imaginar.

Escrito por Andre Bocater Szeneszi

Andre Bocater Szeneszi é sócio na K21 e co-fundador da startup WBrain Agile People. Com uma longa trajetória empreendedora e também como HeadHunter, Andre é apaixonado por Pessoas e Cultura Ágil. Formou-se em Administração pela PUC-Rio e possui diversas especializações em Business, como: especialização em Finanças pela Pontifícia Universidad Católica de Buenos Aires, Gerenciamento Estratégico pela Universidad de Belgrano e Strategic Planning & Decision Making pela Berkeley. Atuou como professor da Pós-Administração da Fundação Getulio Vargas durante muitos anos e também ministra treinamentos de Cultura Ágil no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa. É colunista da Revista Human em Portugal.

Escrito por Raquel Tanurcov

Agile Expert da K21, com foco no domínio cultural. Atuou por um período da sua carreira como Business Partner de RH. Começou a falar sobre Transformação Ágil a partir da mudança cultural nas organizações. Seu interesse por entender as raízes da Agilidade motivou a transição da sua carreira, se aproximando da área de Tecnologia e Negócios. Formada em Administração pela Unicamp e pós-graduanda em Gestão da Inovação pela UFSCAR, descobriu na Agilidade uma forma de conectar pessoas, negócios, tecnologia e assim conseguir tracionar a transformação que tantas empresas buscam.

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