O último dia de um SGRio para ficar na História

28/05/2021
6 min de leitura

Todos os anos, o Scrum Gathering Rio (SGRio) é um daqueles eventos que já acabam com o público pensando na próxima edição. Depois de um adiamento forçado em 2020, por conta da pandemia, a organização fez bonito em 2021, trazendo nomes inéditos e de peso no cenário nacional e internacional da Agilidade.

A comunidade Ágil, mais uma vez, deu show. Além dos voluntários, que todo ano fazem o SGRio acontecer com maestria, a plataforma permitiu reproduzir os espaços de interação do presencial, com conversas “de corredor”, papos construtivos, encontros e reencontros de pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo.

Em tempos de pandemia, o SGRio foi muito mais que um evento na agenda da comunidade ágil. Foi também ambiente seguro, calor humano, espaço de aprendizado e evolução. Que venha 2022!

SGRio 2020/21: insights do terceiro dia

Abaixo, você confere um resumo dos principais insights do nosso time no terceiro e último dia de evento. Vale conferir também, no final, o resumo dos outros dois dias.

The What & Why of Continuous Discovery

Teresa Torres é Coach de Product Discovery, palestrante e autora do livro “Continuous Discovery Habits”, que será lançado em breve.

Com seu background de experiência de ensino a mais de 6.500 profissionais de produtos e treinamentos de centenas de equipes em empresas de todos os tamanhos, ela trouxe ao SGRio 2020/21 uma abordagem estruturada e sustentável para que as equipes de produto possam realizar o Continuous Delivery adaptando soluções a partir do Continuous Discovery.

“Discovery é a decisão da atividade; e delivery é o que estamos fazendo para construir e entregar o produto.”
Teresa Torres

Teresa Torres no SGRio 2020/21

“Continuous Discovery: pontos de contato semanais com os clientes, pela equipe de construção do produto, onde realizam pequenas atividades de pesquisa, em busca do resultado desejado do produto” (tradução livre)

Devido ao time de produto ser composto por uma equipe de geralmente oito pessoas, Teresa orienta que as tomadas de decisões sejam restritas a um trio composto por Product Manager, Design Lead e Tech Lead. O objetivo é agilizar as decisões do grupo:

 “Se você colocar oito pessoas para tomar todas as decisões juntas, você vai andar muito devagar. A ideia do trio de produto é agilizar a tomada de decisão, eles são capazes de comunicar a decisão para o restante da equipe. O que você não pode fazer é convidar todos para a tomada de decisão, se não vai atrasar o processo. Mas é importante que todos estejam atualizados sobre os aprendizados.”
Teresa Torres

Organizações Frankenstein – A anti-Agilidade Organizacional

Gerente de Desenvolvimento e Aprendiz da Agilidade, Felipe Leite apresentou uma palestra cheia de referências históricas e bibliográficas contando o que acontece quando as organizações acreditam que times ágeis isolados eficientes são a fórmula para a Agilidade Organizacional.

A principal base para a história foi o livro Frankstein escrito pela Mary Shelley em 1831. Para Felipe, a criatura do Dr. Victor Frankstein se assemelha às empresas que querem entrar na moda da agilidade mas erram em três pontos:

  1. Incapacidade de autogestão
  2. Organismo sem propósito evolutivo
  3. Falta de integralidade

“Você dentro de uma organização poder falar sobre seus hobbies, trazer um pouco de você, botar isso dentro da organização, tirar a máscara corporativa e ser quem você é, é uma forma que vai afetar a organização de forma positiva.”
Felipe Leite

Felipe Leite no SGRio 2020/21

Felipe comenta que na história da Mary Shelley o médico e a criatura compartilham a mesma alma, o que também podemos observar nas organizações já que elas representam o espelhamento do nosso comportamento:

“O comportamento é um espelho em que cada um vê a sua própria imagem. Então, se a gente olhar para o que a gente está fazendo dentro da organização, como a gente está fazendo e quais os objetivos, é uma forma da gente começar a nos entender dentro do que a gente está fazendo.”
Felipe Leite

Questionado sobre como as organizações podem desfazer o fake agile, ele recomenda uma discussão aberta para primeiramente entender por que este é o caminho atual:

“Agilidade real está muito ligada a ser adaptável a mudanças. Se a organização viu algo no espelho que ela não está satisfeita, chegou a hora de discutir. E discutir não o C-level somente, mas trazer as pessoas da organização para discutir algumas destas questões, especialistas dentro da organização, pessoas que dominam certos temas dentro da organização para trazer um pouco a visão deles, de qual é o caminho do fake agile. Por que a gente está criando este caminho? O que a gente está tentando conquistar com isso? Será que a gente consegue mudar este caminho através da empatia ou está tentando olhar só para o ego conquistador e realizador?”
Felipe Leite

Agile 4 Sales – Agilidade Num Time de Vendas

Decididas a mostrarem que o ágil funciona independentemente do contexto em que está inserido, Bruna Moreira, Especialista em Agilidade Organizacional na UPL, e Fernanda Magalhães, Agile Expert K21, compartilharam no SGRio 2020/21 o case de transformação na área de vendas e pricing da UPL, multinacional de defensivos agrícolas.

Segundo elas, o Ágil já era um valor na companhia mesmo antes da consultoria com a K21, que iniciou com a transformação do RH. Após obter resultados positivos, decidiram expandir a agilidade e escolheram a área de vendas para este experimento. Sobre a escolha do time, Bruna pontua:

“Escolhemos a melhor regional para começar o trabalho, com bons resultados, colaboradores já engajados e mais desenvolvidos para pontuar o que a gente poderia trabalhar. Você tem que testar com quem vai contribuir com o processo.
Bruna Moreira

Para Fernanda, o apoio da alta liderança foi fundamental para conseguir o engajamento com os processos ágeis:

“É menos sobre saber sobre as práticas ágeis, mas ter as pessoas estarem abertas à cultura de experimentação. Os diretores também estavam apoiando este movimento pela oportunidade de escrever uma história diferente dentro da empresa. É interessante começar por quem quer. Estas pessoas no caso já tinham um time aberto e psicologicamente seguro para testar novas formas de olhar para o trabalho.”
Fernanda Magalhães

Fernanda acredita que a transformação cultural é a mais importante em todo o processo e que “uma cultura forte é quando você tem todos os valores da organização em atitudes que consigam representar estes valores”.

Fernanda Magalhães e Bruna Moreira no SGRio 2020/21

Bruna complementa que “o que realmente traz a cultura ágil e consolida são as cerimônias”, mas alerta:

“Não sigam à risca o modelo, o método, o livro, o guia… Ouçam o que o seu cliente está falando, o que ele precisa de fato naquele momento. E, aí, você adapta método, cultura, prática. E enfim você consegue ter o resultado esperado. E adapte para o que o seu time e o seu cliente conseguem fazer.”
Bruna Moreira

Pensando as organizações do século XXI

Raphael Albino foi o keynote de encerramento do SGRio 2020/2021. Ele começou traçando uma linha do tempo, desde o surgimento da internet e automatização dos negócios até o futuro emergente.

Compartilhando pesquisas e métricas importantes, ele lembrou que embora a pandemia tenha acelerado a transformação digital em muitas organizações, ainda existem barreiras, como falta de suporte financeiro, expectativas irrealistas e o fator cultural nas empresas, entre outras.

Raphael estuda Transformação desde 2016, e nesses anos, ele conta o que percebeu:

“Essencialmente, a gente tem dificuldade de flexibilizar estratégia. Quem nunca teve contato com aquele mapa maravilhoso mas que nunca foi para o dia a dia?”
Raphael Albino

palestra raphael albino no sgrio

Usando um case, ele mostrou alguns aprendizados:

  • “Os modelos são atalhos que nos permitem entendê-los mas também nos convidam a adaptá-los para dentro do nosso ambiente. Não é Scrum, Kanban ou Safe que vai resolver o problema de uma organização.”
  • “Existe todo um arranjo social dentro da organização que simplesmente vai bloquear a criação de equipes multifuncionais e auto-organizadas. Não é porque um time se chama squad que tudo vai se resolver.”
  • “O aprendizado quando é orientado em cima de um problema acaba sendo mais efetivo, e sensibiliza. Temos que treinar, mas por que estamos treinando?”
  • “Identificar esse mapa social da organização para saber o capital social dessas pessoas e como elas serão úteis e promotoras da transformação pode ser bom. Nem todo mundo vai estar no barco, e está tudo bem.”

Raphael convidou o público a refletir sobre o quanto a estratégia da empresa tem como diretriz atender melhor o seu cliente. E como a transformação deve estar ligada à estratégia, muito mais do que a métodos e ferramentas.

“Transformação demanda estratégia. Nós precisamos pensar em estratégia. Porque agilidade não é um fim, é um meio de transformação.”
Raphael Albino

No fim do terceiro e último dia, o SGRio 2020/2021 terminou com um mosaico na tela da plataforma, com as fotos que os participantes puderam fazer durante todo o evento.

O último dia de um SGRio para ficar na História 1

Você participou do SGRio 2020/21? Comente quais as palestras que mais gostou!

Veja também como foram os outros dois dias do evento:

 

Escrito por K21

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