Aprenda como times de produto alcançam resultados excepcionais

11/06/2021
7 min de leitura

Existe uma característica em comum entre os times de Produto que conseguem romper a barreira de uma performance mediana e alcançar resultados excepcionais: capacidade de aprender rápido.

Quanto mais rápido um time aprende, mais frequentemente ele consegue agregar inteligência de negócio ao seu produto e dar o próximo passo.

Focar no aprendizado significa transformar seus resultados em inteligência de negócio, aumentando as chances de crescimentoengajamento e maiores receitas para o seu produto.

Por que os times de produto tem dificuldade em focar no aprendizado?

Ajudando times de produto de diversos segmentos a acelerarem seus resultados, temos observado um padrão recorrente: os times de produto não conseguem alavancar resultados por focar mais na execução do que no aprendizado.

Assim, normalmente o aprendizado fica implícito ou na cabeça das pessoas, não chegando a se transformar em inteligência de negócio. Alguns dos fatores mais comuns que contribuem para esta dificuldade:

  • foco em discutir soluções mais do que entender o problema;
  • conhecimento centralizado em especialistas;
  • processo de decisão lento,  dependente de aprovação hierárquica;
  • pessoas compartilhadas com outros times;
  • cobrança pelo orçamento ao invés da evolução do negócio;
  • ciclos muito longos de desenvolvimento (ex: sprints maiores do que 2 semanas).

O que nós aprendemos é que o jeito mais efetivo de reverter este cenário é ajudando o time a focar no aprendizado enquanto continua tocando seu negócio, diariamente.

Neste post, quero compartilhar algumas práticas que têm se mostrado muito efetivas para que os times de produto acelerem seus resultados e desenvolvam uma cultura de foco no aprendizado. Para tangibilizar estas práticas, compartilho ao longo do post um exemplo prático real de um time de produto.

Onde queremos chegar?

Ciclo de Lean Startup para times de produto

A mentalidade dos ciclos de aprendizado do Lean Startup ajudaram a tangibilizar de forma simples o caminho a ser percorrido para validação de uma hipótese.

Mas nem tudo que é simples é fácil de praticar, não é mesmo? Muitas vezes, times de produto acabam negligenciando o último passo: aprender. 

Os principais motivos pelos quais isto ocorre são excesso de demanda e/ou falta de priorização clara. Assim, o resultado é um monte de coisa sendo construída ao mesmo tempo e um monte de métricas sendo coletadas sem gerar acionáveis claros.

No final, o time não transforma seus aprendizados em inteligência prática de negócio que ajudem a melhorar a tomada de decisão e acaba virando refém da execução.

O que um time precisa para acelerar seu crescimento e exponencializar resultados é dominar com maestria a arte de aprender. 

Um bom time de produto não prioriza uma entrega antes de entender o que quer aprender com ela. O que é mais importante: aumentar em 10% as vendas ou aprender como se aumenta as vendas em 10%? E a grande sacada é que essas duas coisas andam juntas.

Algumas perguntas calibradas para te ajudar a focar no aprendizado:

    • Quais foram os aprendizados recentes do time que indicam que dominamos melhor o nosso negócio hoje do que há 2 semanas atrás?
    • Quais são os principais aprendizados que o time está buscando nas entregas que estão em andamento?

Comece pelos ciclos curtos

O primeiro passo para desenvolver uma cultura de foco no aprendizado é encurtar o ciclo de aprendizado do seu time. Algumas perguntas simples que podem te ajudar:

  • Qual o tamanho do ciclo de desenvolvimento (sprint) do seu time?
  • Qual o tempo médio do time para realizar uma entrega?
  • De quanto em quanto tempo o time se reúne para discutir sobre melhorias no formato de trabalho?

Quanto maior for a resposta para essas perguntas, menor será a chance de o time conseguir focar no aprendizado.

A ideia por trás é simples. Imagina se o Waze levasse 50 segundos para atualizar as informações da sua rota enquanto dirige. Certamente você não saberia o momento exato de sair de uma pista engarrafada e pegar um atalho.

Basicamente, não adiantaria nada o fato de as informações serem transformadas em inteligência para sugerir uma mudança de rota fora do tempo hábil.

Pela nossa experiência, recomendamos a adoção de sprints de 1 semana. Fica longa o suficiente para realização de entregas de valor e medição dos impactos. Ao mesmo tempo, curta o suficiente para integração de aprendizados e correção da rota.

Ciclos mais curtos aumentam os momentos de aprendizado, pressionam o time a fatiar as entregas de valor e acelera a tomada de decisão. Na prática, aumenta o Return of Learning (ROL) do time.

Foco no problema, mais do que na solução

A pergunta mais importante que precisamos responder antes de planejar qualquer coisa é: qual problema queremos resolver? Pode parecer óbvio, mas saber o óbvio e praticar o óbvio são duas coisas completamente diferentes…

Um passo fundamental ao receber ou identificar uma demanda é dominar o problema a ser resolvido. Domine o problema o suficiente para que consiga entender seu real impacto e definir o nível de urgência.

A seguir, trago algumas perguntas calibradas que podem te ajudar a dominar o problema.

  • Quantos clientes são impactados por este problema?
  • Quanto de dinheiro estamos perdendo / deixando de ganhar enquanto este problema não é resolvido (qual é o custo do atraso)?
  • O que acontece se deixarmos de resolver este problema agora?
  • Já existem soluções no mercado que ajudam a resolver este problema? Quais são elas?

Nossa principal dica é que o time consiga descrever o problema a ser resolvido em apenas uma frase de impacto curta, como uma manchete de jornal ou um tweet.

Logo após, qualquer pessoa envolvida com o problema precisa ser capaz de compartilhar algumas informações (munidas de métricas) sobre o impacto do problema em apenas 30 segundos, como um “elevator pitch” (discurso de elevador).

Como funciona na prática? 

Para tangibilizar todas as dicas, vamos acompanhar um caso prático real ao longo do post. Adaptamos detalhes, números e a descrição do cenário para preservar informações sigilosas.

Descrição do contexto: um time comercial responsável por negociar a compra de um produto com fornecedores. O negócio principal da empresa é revender estes produtos com um serviço de manutenção e atendimento especializados. Estes produtos são comprados através de concorrências no mercado.

Historicamente, o foco sempre esteve nas grandes concorrências, dado que a empresa lidera seu mercado. Mas com uma meta ambiciosa de crescimento, eles precisavam começar a ganhar concorrências menores também.

Após receber e mergulhar o suficiente no problema, o time chegou na seguinte manchete de jornal com os 4 principais tópicos:

Times de produto entendendo o problema

Identifique oportunidades e defina hipóteses

Após dominar o problema, identifique quais as principais oportunidades que existem ao resolvê-lo.

Recomendamos que a oportunidade seja descrita através de uma pergunta, relacionando diretamente uma ação com um efeito.

Imagine o seguinte exemplo hipotético: se aumentarmos o preço da assinatura, melhoramos a lucratividade do produto? O foco está em aprender sobre o impacto do preço na lucratividade. Na pergunta, ligamos uma ação a um efeito específico.

Em seguida, defina as principais hipóteses. Certamente o time já terá algumas hipóteses sobre como aproveitar esta oportunidade. Recomendamos que estas hipóteses sejam afirmações.

As hipóteses serão a base dos experimentos que vão testá-las. Continuando a análise do caso prático, confira qual foi a oportunidade e quais hipóteses foram levantadas pelo time comercial.

Times de produto identificando oportunidades e definindo hipóteses

Crie experimentos curtos para validar suas hipóteses

Para ajudar a validar as hipóteses, utilizamos os Test Cards. Adoramos esta ferramenta por ela ser simples e permitir a descrição de experimentos de forma bem prática.

O Teste Card é dividido em 4 partes bem intuitivas. Aqui ficam os principais pontos de atenção:

  • “Acreditamos que…” corresponde literalmente à(s) hipótese(s) a ser(em) validada(s) ou invalidada(s);
  • “Para testar…” requer uma descrição simples do teste, sem muitos detalhes técnicos específicos;
  • “Vamos medir…” remete às principais métricas que vão determinar a (in)validação das hipóteses. Selecione poucas e procure métricas tão importantes que te permitam descartar o experimento caso não elas sejam alteradas.
  • “Validaremos a hipótese se…” necessita que você defina claramente os resultados esperados das métricas, mesmo que não sejam totalmente precisos, mas que possam gerar aprendizados.

Veja como ficou o test card do time no caso prático:

Montando um teste card para times de produto

Confira também os resultados do teste realizado em uma única sprint:

Teste card para times de produto

Transforme seus aprendizados em inteligência de negócio

Após realizar o teste, não pare por aí! Este é o erro mais comum que os times de produto cometem. Não é simplesmente uma questão de decidir, ou não, manter uma iniciativa. É sobre dominar melhor o seu negócio.

Analise os resultados com o time e discuta quais aprendizados eles ensinam sobre a oportunidade escolhida. Garanta um tempo de qualidade para absorver estes aprendizados.

Um time de produto só consegue dominar seus aprendizados e transformá-los em inteligência de negócio através de boas conversas. Pois é através delas que o time descobrirá o que realmente importa para cada membro, para o cliente e para o negócio.

Apresentações elaboradas no Power Point que consomem horas e mais horas de trabalho do time são substituídas pela apresentação de testes práticos com o cliente, com hipóteses validadas ou invalidadas que nos ensinam mais sobre o nosso negócio.

Learning Card é uma ótima ferramenta para fazer este exercício. Segue a mesma ideia do Test Card. Vejamos como ficou o exemplo do caso prático:

Transformando aprendizados dos times de produto em inteligência de negócio

Comece agora mesmo a acelerar seus resultados

Agora que você viu um exemplo prático sobre como os Times de Produto aumentam sua capacidade de aprendizado para alcançar resultados excepcionais, você está pronto para começar.

Não existe atalho. Não existe mágica. O único caminho é começar, focando sempre em entregar valor através de ciclos curtos e praticando a melhoria contínua.

Este exemplo prático que compartilhamos com vocês ocorreu em uma sprint de 1 semana. Eles focaram no problema e conseguiram a quantidade de informações suficientes para darem o próximo passo.

Mais um exemplo

Um dos times de produto que estamos atuando neste momento abraçou um desafio de revolucionar a forma de construir e entregar seus produtos em uma indústria bem obsoleta.

Eles toparam adotar sprints semanais, começaram a escolher seus problemas e começaram a dominá-los, sem deixar de entregar valor.

Para se ter uma ideia, levavam mais de 90 dias desde a concepção do produto até ofertá-lo na loja para o cliente dentro de um mercado com ciclos de tendências bem acelerados.

Começamos a convencê-los de focar no aprendizado e, juntos, decidimos experimentar algo revolucionário: entregar o produto em até 24 horas através do site.

O time validou a ideia, quase que de forma artesanal, em uma escala pequena. Deu muito certo e eles já estão escalando ao mesmo tempo que continuaram tocando o dia-a-dia e otimizando seus principais processos.

No final do dia, times que aprendem rápido precisam saber escolher bem os problemas que vão atacar, montar experimentos rápidos e começar a aprender sobre o problema.

O principal objetivo, sprint após sprint, deve ser “ferramentalizar o conhecimento“. A inteligência coletiva do time precisa ser transformada em aprendizados de negócio que apontem com clareza qual o próximo passo a ser dado.

Quer saber mais como nosso time pode te ajudar a acelerar times de produtos e alcançar resultados excepcionais? Entre em contato com a gente para marcar uma conversa com o nosso time de Product & Agile Experts.

Escrito por Guga Moser

Guga Moser é Product & Agile Expert na K21. Trabalhando com Agilidade desde 2016, pratica o 'Business Agility' junto com o mindset de Produtos Digitais para levar as organizações para o próximo nível da Transformação Digital.

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